Chua Nuvunga e Nhez Nguenha encontram-se em exposição que evidencia a diversidade de linguagens e técnicas das artes plásticas moçambicanas, acrescentando mais um capítulo de qualidade à produção artística contemporânea do país.

Nhez Nguenha desafia-nos a atravessar a superfície para aceder a um território profundamente onírico e lírico, povoado por vozes, corpos, melodias e paisagens emocionais. Aves, instrumentos musicais e outros elementos recorrentes funcionam como metáforas da liberdade, do desejo, da utopia e da incerteza. À medida que o olhar se prolonga, percebe-se que estas pinturas também interrogam a condição humana, suspensa entre o abismo iminente e a permanente capacidade de reinvenção que caracteriza a sobrevivência.

Se a pintura de Nhez sugere, a escultura de Chua materializa. O artista transforma metáforas em corpo, conferindo volume e presença física ao sonho, à liberdade e à utopia anteriormente insinuados. A madeira é trabalhada até adquirir uma espécie de alma, atravessando um processo de metamorfose que a faz ultrapassar a sua condição inicial. Mais do que admirar a destreza técnica, o espectador é convidado a imaginar as histórias contidas naqueles corpos fragmentados. A união deixa então de ser apenas um princípio moral para tornar-se um princípio escultórico: nenhum corpo existe sozinho; todos resultam da confluência de outros corpos, outras matérias, outras histórias.

No final concluímos que Chua Nuvunga e Nhez Nguenha ensaiavam este encontro muito antes de ele acontecer. Talvez noutra vida, talvez apenas na afinidade silenciosa das suas pesquisas artísticas. Não procuraram a certeza desse diálogo, porque a certeza tende a fechar possibilidades. A arte, pelo contrário, existe precisamente para mantê-las abertas.

Próximos Eventos

Atelier Filosófico

Conversa literária

Atelier Filosófico

Notícias

É com a mulher e a sua relação com a natureza que a artista plástica moçambicana Mafalda Vasconcelos se estreia…

A Fundação Fernando Leite Couto inaugura na quarta-feira, 04 de Fevereiro de 2026, às 18 horas, a exposição de pintura…

Para minimizar o sofrimento de quem perdeu tudo com as inundações que afectaram a região Sul de Moçambique, a Fundação…

No more posts to show